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Leandro Oliveira
SINISTRA: NANDO FERNANDES FALA SOBRE METAL EM PORTUGUÊS, NOVO ÁLBUM E PLANOS INTERNACIONAIS
Vocalista fala sobre a identidade da Sinistra, a escolha pelo português, a força da banda ao vivo e revela que o grupo já trabalha em novas músicas e pensa em versões em inglês para alcançar outros mercados.
Formada por Nando Fernandes, Edu Ardanuy, Luis Mariutti e Rafael Rosa, a Sinistra reuniu músicos de trajetórias consolidadas em torno de uma proposta direta: heavy metal pesado, marcado por grandes riffs e letras em português.
Em conversa com o Mariutti Team, Nando Fernandes falou sobre as referências que ajudaram a construir essa identidade, o processo de composição do primeiro álbum, a resposta do público e os próximos passos de uma banda que já começa a preparar seu segundo trabalho.
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A Sinistra nasceu com a proposta de fazer heavy metal cantado em português, em um cenário no qual muitas bandas brasileiras ainda enxergavam o inglês como um caminho natural. Como surgiu essa ideia e a decisão de assumir o português como parte fundamental da identidade da banda?
Na verdade, o que eu tenho dito sempre nas entrevistas é que a gente não está inventando a roda. Essa história de cantar em português já vem desde os anos 70, vem muito mais longe. Nós tínhamos Árpia, Platina, Patrulha do Espaço, Inox, o Kamikaze de Minas, do meu grande amigo Guilherme Bisotto, enfim, muitas outras bandas que já optaram pelo português.
Acho que a diferença está no campo melódico, nas melodias bem acabadas, e também por ser uma mensagem direta. A pessoa vai ouvir, já vai entender, não depende de uma tradução. E existe essa questão de ser uma banda com potencial internacional na parte instrumental, porque são músicos do primeiro escalão do rock e do metal brasileiro, mas cantando em português.
Também temos a intenção de fazer isso em outras línguas, mas, naquele momento, o que pensamos — e achamos que foi um tiro certo — foi realmente fazer as letras em português.
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Existe uma diferença grande entre cantar heavy metal em inglês e fazer isso em português. Em algum momento vocês sentiram que o idioma poderia limitar determinadas ideias ou, ao contrário, perceberam que ele ajudava a construir a personalidade da Sinistra?
Não, em momento nenhum tivemos dúvida. Essa parte foi minha: a construção de 90% das melodias e a totalidade das letras. O Edu deu algumas ideias em pouquíssimos trechos de algumas letras — ideias muito construtivas, coisas muito legais. O Edu tem um super bom gosto para isso.
A gente já tem quatro músicas adaptadas para o inglês. Obviamente, perde um pouco da poesia. Em português, as coisas são muito mais detalhadas; quando você passa para o inglês, acaba ficando um pouco mais sintético. Mas em momento nenhum tivemos dúvida do que fazer.
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Musicalmente, a Sinistra aposta em riffs pesados, andamentos mais arrastados e referências que passam pelo heavy metal clássico. Como foi a recepção do público a essa combinação de peso e letras em português?
A gente sempre acha que, principalmente o primeiro disco, tem que estar muito alinhado com o nome da banda. Então, uma banda chamada Sinistra precisava ser uma banda sinistra também pela formação, pelo peso dos nomes.
Vieram as influências dessas grandes bandas dos anos 70, mas também tem muita coisa moderna e coisas dos anos 80. Você vai encontrar coisas mais na onda do Van Halen. Eu e o Edu praticamente fizemos o disco inteiro e, nas composições da parte musical, ele colocou todas as influências dele.
A exceção é “Livre Para Seguir”, que é uma música minha com o Tito Falaschi, que inicialmente seria o primeiro baterista da Sinistra e acabou não dando certo. Eu já tenho outra música com o Tito chamada “Adrenalina”, que queremos aproveitar também no segundo álbum.
A aceitação foi ótima, eu diria que foi além das expectativas. Tanto pela parte sonora da banda, soando pesada desse jeito, quanto pelas letras principalmente. A galera destaca muito os conteúdos; muitas pessoas se identificam com os textos.
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As músicas da Sinistra parecem ganhar ainda mais força no palco. Como vocês enxergam hoje a experiência da banda ao vivo? Existem planos de ampliar essa agenda?
A Sinistra cresce muito ao vivo por conta da intensidade das músicas, do peso dos riffs e da nossa afinação. A gente afina em Ré, ou seja, um tom abaixo do natural, então acaba soando mais grave, mais pesado, mais potente.
As minhas interpretações são mais fortes, mais dramáticas. Os solos, apesar de serem maravilhosos no disco, têm um feeling, uma garra maior. Assim como o peso do baixo do Luis, junto à figura dele, à performance, à forma como ele toca com paixão, com tesão, com pegada. Tudo isso soma. A Sinistra é muito mais forte ao vivo mesmo.
E ir aonde ainda não fomos, encontrar novos fãs, é sempre o nosso desejo. Atualmente não temos ninguém representando a banda. Eu estou cuidando mais dessa parte dos shows e, inclusive, estamos em busca de um empresário parceiro, honesto e não oportunista.
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Depois de tudo o que a Sinistra já construiu, qual é o próximo passo? Já existem músicas novas ou planos para um segundo álbum? E o inglês pode entrar nessa nova fase?
Depois de toda essa trajetória, a gente entende que a banda construiu um legado e adquiriu um espaço até de uma forma rápida. Também não podia ser diferente. Quando eu olho para a minha esquerda, tem o Edu Ardanuy; quando olho para a minha direita, tem Luis Mariutti e Rafael Rosa. E eu sou um cara do front, que está há muito tempo na estrada, sempre envolvido em grandes projetos. Então essa somatória foi muito positiva.
A gente já tem bom material para o segundo trabalho, mas todo mundo está sempre envolvido em outros projetos. E eu sempre falo que a gente nunca teve desespero de “precisamos ser famosos, precisamos disso”. Não. Estamos trabalhando com calma, fazendo trabalhos bons, músicas novas e letras muito importantes também. Então vem muita coisa legal por aí.
Periodicamente estamos nos apresentando ao vivo, e o português vai ser também a tônica do segundo álbum. E, de repente, com esse segundo álbum pronto, a gente consiga fazer uma coletânea em inglês desses dois primeiros e aí, sim, atacar o resto do mundo.