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entrevista No void shelter

mariiutti team

NO VOID SHELTER FALA SOBRE MÚSICA, CONSCIÊNCIA E POSICIONAMENTO

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A No Void Shelter já traz em sua música discussões sobre poder, desigualdade, manipulação, resistência e comportamento humano. Em Unlock, álbum conceitual construído a partir do contexto social vivido durante a pandemia, essas questões aparecem como parte fundamental da identidade da banda.

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Durante o período eleitoral, esse posicionamento também ganhou espaço nas redes sociais. Para o guitarrista Gustavo Lacerda, não faria sentido abordar determinados temas nas composições e permanecer em silêncio quando eles voltassem a ocupar o centro do debate público.

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Em entrevista ao Mariutti Team, Gustavo fala sobre política, responsabilidade artística, os riscos de assumir posições publicamente e sobre como a No Void Shelter pretende manter esse diálogo para além das eleições.

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  • Durante o período eleitoral, vocês decidiram usar as redes da No Void Shelter também como espaço de conscientização. Em um momento tão polarizado, o que fez a banda entender que se posicionar era mais importante do que permanecer neutra?

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A No Void Shelter sempre falou sobre poder, desigualdade, manipulação, resistência e as contradições da sociedade. Unlock é um disco conceitual sobre o contexto social do Brasil e do mundo durante a pandemia. Seria incoerente abordar esses temas na nossa música e permanecer em silêncio quando eles estão tão presentes na sociedade. Para nós, posicionar-se faz parte da identidade da banda.

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  • Existe hoje uma ideia de que artistas deveriam evitar política para não dividir o público. Para vocês, até que ponto é possível separar arte, sociedade e política — principalmente quando as próprias músicas da No Void Shelter já nascem da observação da realidade?

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É muito difícil separar essas coisas. A arte nasce das experiências dos artistas e da realidade em que vivem. A No Void Shelter fala sobre resistência, liberdade, relações de poder e comportamento humano. Eu mesmo me conscientizei através da música e acredito no seu potencial de provocar reflexões e contribuir para a transformação da sociedade.

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  • “Masks” fala sobre manipulação, criação de falsas narrativas e o uso do medo e da ignorância como instrumentos de controle. Em um período eleitoral dominado por redes sociais, algoritmos e desinformação, vocês sentem que a mensagem da música se tornou ainda mais atual?

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Com certeza. “Masks” não foi escrita especificamente para o contexto atual, mas suas questões continuam muito presentes. Uma delas é a hipocrisia de pessoas que pregam ideais humanistas, mas, na prática, se posicionam ao lado da barbárie. É justamente nesse momento que a máscara cai.

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A manipulação também assume novas formas nas redes sociais, nos discursos políticos e na desinformação. Por isso, a mensagem da música continua tão atual.

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  • Quando uma banda assume publicamente uma posição, existe também o risco de perder seguidores, público ou oportunidades. Esse risco chegou a ser discutido entre vocês? Existe algum limite entre aquilo que a No Void Shelter pensa enquanto banda e aquilo que decide publicar?

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Sim. Durante a produção do disco, discutimos bastante se deveríamos incluir falas do Bolsonaro na música. Decidimos seguir em frente, conscientes de que nosso posicionamento poderia afastar algumas pessoas, mas também aproximar aquelas que se identificam com nossas ideias.

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Não queremos transformar a banda em um palanque partidário, mas temos responsabilidade como artistas e cidadãos. Se esse posicionamento fortalece nossa conexão com o público, é uma consequência positiva.

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  • Passada a eleição, fica uma questão importante: conscientização política não deveria existir apenas na hora do voto. Como a No Void Shelter pretende continuar transformando temas sociais e políticos em música e comunicação sem deixar que o discurso se torne panfletário?

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Nosso desafio é continuar falando de política sem transformar a banda em propaganda. A conscientização vai além das eleições: envolve liberdade, desigualdade, manipulação e relações de poder.

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Desde o primeiro turno, tenho pensado na importância de manter esse trabalho diariamente. Muitas pessoas acabam se acomodando depois das eleições, enquanto o bolsonarismo continua forte e o fascismo segue sendo uma ameaça. Não podemos relaxar.

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Nas redes, quero chamar a atenção para os temas presentes nas nossas letras e estimular o público a refletir e discutir. A ideia não é dar respostas prontas, mas incentivar as pessoas a questionar e buscar informação.

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Assim, a conscientização se torna parte natural do nosso trabalho, sem precisar transformar cada publicação em um discurso político.

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