

entrevista baterista rafaela martini
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1. Como nasceu o Martini Power Up e o que você pretende explorar musicalmente ao transformar temas de videogames em versões de metal?
Um pouco antes de deixar a EvenDusk em 2023 eu propus que para não ficarmos em inatividade, lançar ao menos um single por ano. A proposta não foi aceita por todos os integrantes, de modo que ao deixar a banda, continuei com a ideia fixa em mente. Ao me mudar para o Japão, então sem bandas, coloquei o projeto em prática por mim mesma. Musicalmente falando me agrada muito a oportunidade de explorar a nostalgia com clássicos dos videogames revividos em versão metal. E por se tratar de uma versão, eu e os demais músicos não só prestamos nossa homenagem como podemos nos expressar livremente nos arranjos.
2. Depois de estrear o projeto com “Devil Trigger”, de Devil May Cry V, você escolheu “Makenai Ai ga Kitto Aru”, tema da abertura japonesa de Mega Man X4, para o segundo lançamento. O que motivou essa escolha e como ela contribui para apresentar a identidade do Martini Power Up?
Essa musica tem um apelo emocional para mim pois é simplesmente do meu jogo favorito do Playstation 1. A segunda música do projeto estava planejada para ser de um famoso jogo da SEGA, mas quando recebi como recomendação no YouTube esse tema, aleatoriamente, todas as memórias vieram à tona e hoje eu tenho certeza de que fiz a escolha certa. A SEGA pode esperar um pouco mais.
3. Como foi o processo de criar esse arranjo, preservando elementos reconhecíveis da composição original e, ao mesmo tempo, construindo uma identidade própria para a versão?
Tudo começa mantendo a estrutura da musica original e adicionando uma nova linha de bateria. Eu escrevo nota por nota das batidas até ficar como eu gosto. Então, passado a musica de guia e a linha de bateria, o Samuel Zechin nas guitarras, Ricardo Domingues no baixo e Orlan Vieira preencheram todas as demais trilhas livremente. Os arranjos foram mixados pelo Ricardinho e em poucas semanas toda a parte instrumental ficou pronta. O que demorou mesmo foi conseguir a pessoa certa para cantar, pois tinha que ser uma japonesa. Eu temia justamente isso pelo fato do meu circulo social no Japão ainda ser pequeno. Mas felizmente eu conheci a Miki e ela aceitou meu convite, o que foi uma enorme surpresa para mim, pois eu já admirava o trabalho dela há algum tempo.
4. Atualmente, você vive no Japão. Como essa experiência tem impactado sua relação com a música, com os videogames e com a cultura que inspira o Martini Power Up?
Infelizmente eu não tenho tão fácil acesso a uma bateria para tocar. A minha bateria ficou no Brasil e desde então, eu só toco bateria se for para realizar uma gravação. Desse modo, começar esse projeto é a forma que encontrei de não abandonar a musica de vez, pois isso me deixaria arrasada. Entretanto, meu contato com o mundo dos games aumentou vertiginosamente. Hoje tenho algumas raridades em termos de console, como N64 dourado, e versão Daiei Hawks. Comprei aqui no Japão também meu primeiro console depois de adulta, Nintendo Switch e Playstation 4. Em outras palavras, hoje me sinto bem servida e ainda pretendo comprar mais.
5. Além de apresentar releituras de temas conhecidos, que caminhos você deseja abrir com o projeto? Já existem novas músicas, ou colaborações planejadas?
Existem novos planos de musica, sim. Mas ainda não estão em andamento. Esse projeto depende de fatores como disposição e agenda dos músicos convidados. Assim sendo, a ideia é lançar uma música ou duas por ano. Mas sim, há pelo menos 4 musicas na fila e cada musica de um clássico diferente de alguma grande produtora de games, seja KONAMI, SEGA, CAPCOM, NINTENDO etc. Podem esperar por mais versões avassaladoras, com talentos musicais do Brasil e do mundo. Cada musica será uma surpresa. Espero que o projeto cresça bastante para continuar apresentando mais musicas que mexem com a nossa nostalgia e com um power-up do metal!