


entrevista Gustavo di padua
Fema
01- “Like Water” fala sobre adaptação sem perder essência. Em algum momento da sua carreira você sentiu que estava se afastando de quem você realmente era como artista?
Perfeito, a música fala sobre isso, sobre fluir, se adaptar, mas sem perder a essência. E eu acredito que essa adaptação só acontece de forma verdadeira quando você está conectado com quem você realmente é.
Na verdade, nunca me senti desconectado de mim mesmo, artisticamente falando, identidade sempre foi a coisa mais importante pra mim. E como artista, sempre valorizei isso. Pra mim, a música precisa ser de dentro pra fora, e isso sempre foi algo muito natural no meu processo. Eu fico atento pra que tudo seja verdadeiro, pra que a música carregue a minha verdade absoluta. E isso se estende também ao meu trabalho como produtor, onde eu busco extrair o melhor de cada artista com sensibilidade, buscando reconhecer, respeitar e valorizar a identidade de cada um.
“Like Water” fala sobre isso de forma mais ampla, sobre fluir, se adaptar, se conectar.
Não só na música, mas na vida como um todo. É sobre entender que nada precisa ser engessado, que as coisas podem caminhar com leveza, e que a gente aprende com os processos. No fim, é sobre não forçar, e sim se alinhar com o fluxo natural das coisas.
02- A ideia de “fluxo” em “Like Water” envolve paciência. Em um cenário onde tudo é imediato, você acha que a pressa está encurtando carreiras?
Acredito que sim. O processo muitas vezes é árduo, e a paciência é um dos pilares pra sustentar uma carreira de verdade.
Autoconhecimento é fundamental!
A busca por propósito, por identidade e a disposição de pagar o preço, curtindo e aproveitando o processo, é o que mantém você firme, independentemente do que acontece ao redor.
No cenário atual, tudo é muito rápido, mas construir algo sólido ainda exige tempo.
03- Esse lançamento é o primeiro passo desse novo ciclo. O quanto ela revela sobre o conceito do álbum?
Cada música do álbum tem um significado muito importante pra mim e é fundamental dentro do conceito do trabalho. “Like Water” mostra uma parte desse universo, mas ainda é só uma porta de entrada. O álbum completo traz uma dimensão maior, onde tudo se conecta de forma mais clara.
04- Você já viveu várias fases da indústria musical. O momento atual é o mais democrático?
Sim, acho que o mais complicado é viver as transições e ter que se adaptar a elas. Antigamente existia uma ideia de mercado que simplesmente desmoronou, e estar no meio disso não é fácil.
Mas hoje, sem dúvida, o acesso é muito mais democrático. Você consegue produzir, lançar e se comunicar diretamente com o público. Só que isso também exige mais consciência.
05 - Que conselho você daria hoje para um músico que está começando?
Meu conselho seria:
Comece e faça por amor.
Divirta-se estudando e criando.
Tente compor desde o início e busque sua identidade.
Se desafie, toque estilos diferentes, toque com pessoas mais experientes que você. É um caminho incrível, mas não é fácil. Invista em autoconhecimento. E, claro, tenha paciência. Porque, apesar da velocidade do mundo hoje, consistência ainda é o que constrói uma carreira de verdade.