


entrevista shamangra
leandro oliveira
O Shamangra nasceu como uma homenagem à sua trajetória, mas ao mesmo tempo se tornou uma vitrine para novos talentos do metal nacional. Como você enxerga esse equilíbrio entre celebrar o passado e ajudar a construir o futuro da cena brasileira?
Luis: Para mim é a combinação perfeita, algo que eu sempre desejo em todos os projetos do Mariutti Team. Usar esse espaço que conquistei ao longo dos anos para apresentar novos talentos, pessoas que eu acredito que mereçam ter mais visibilidade em seus trabalhos e bandas. Essa é a mentalidade que vem do nosso zine, dos nossos eventos... e essa tour veio coroar, levar esse estilo de trabalho do Mariutti Team pelo Brasil.
A primeira etapa da turnê passou por diversas regiões do país, incluindo Nordeste, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e interior paulista. Existe alguma história, reação do público ou momento marcante que tenha mostrado a força que esse repertório ainda possui junto aos fãs brasileiros?
Luis: O que tem marcado essa turnê é a consistência, todo os shows com alta qualidade, pontualidade, organização, isso agrada público e contratantes. Em todos os shows a gente tem visto o público se emocionar, os novatos ganhando a confiança e sendo ovacionados, além do carinho e respeito pela minha história e a do Hugo. Isso marca, ouvir que uma linha, um tapping, a música da minha banda transformou a vida de uma pessoa é tudo que um artista pode querer.
O Holy Land é um álbum que ajudou a apresentar elementos da cultura brasileira para o heavy metal mundial. Na sua visão, por que esse disco continua tão atual e relevante mesmo para fãs que nem haviam nascido quando ele foi lançado?
Luis: Eu acredito em um conjunto de fatores. Na época nós estávamos focados, em um local com muita natureza, energia privilegiada, longe de qualquer distração, tudo conspirava para que um grupo de pessoas talentosas produzissem uma quantidade incrível de músicas, que renderam um disco, ep e músicas que foram lançadas em outras épocas, mas que surgiram ali. Naquele momento, no sítio, em um momento privilegiado que soubemos aproveitar. Essa verdade toca as pessoas, e é essa verdade que persiste no tempo e faz com que pessoas de todas as idades se identifiquem. No Angels cry a gente experimentou a brasilidade e no holy land a gente exagerou, num bom sentido, dando espaço para essa ancestralidade que vive na gente.
O que essa turnê teve de diferente das outras do projeto?
Luis: Ela consolidou uma identidade, a formação. O projeto nasceu como uma ideia de banda enorme, com muitas participações, muitos vocalistas, e na prática não é viável fazer turnê assim. No fim do ano passado finalizamos um momento iniciado lá em 2024 na Festa da Firma, e em 2026 viemos mais com cara de banda, ainda que com a mensagem de celebração.
O Shamangra reúne músicos de diferentes gerações. Como tem sido a troca de experiências entre artistas que acompanharam a construção dessa história e músicos mais jovens que agora ajudam a mantê-la viva nos palcos?
Luis: O que eu sempre tento passar é a minha vivência no Metal, de como executar com excelência, de estar sempre preparado para atuar em alto nível. Para eles muitas coisas acontecem pela primeira vez e essa energia de ter a experiência pela primeira vez, traz uma energia que renova.
Hugo: Tem sido muito legal, pois é uma geração talentosíssima, e que sempre vai trazer coisas novas e somar com uma certa experiência que temos. Acho importante essa mistura.
Hanna: Todos os dias são de grandes aprendizados. Jamais imaginei que estaria não só conhecendo meus ídolos, mas sendo parceira de palco e estabelecendo um vínculo de confiança e amizade.
A experiência deles é repassada pra nós de forma generosa e naturalmente.
Não é só sobre compartilhar o mesmo palco, é como a música que eles fizeram transformou a vida deles e consequentemente as nossas.
É um misto de orgulho pelo que estamos fazendo juntos e gratidão pela oportunidade que estamos vivendo.
Como eu costumo dizer: o sonho é real!
A atual turnê é focada em trabalhos muito especiais para os fãs: o EP Freedom Call, o álbum Holy Land, os 25 anos de Shaman, além músicas da carreira solo do Andre. Depois de tantas décadas, o que essas músicas ainda despertam em você quando sobem ao palco?
Luis: Eu sempre toco essas músicas como se fosse o melhor show da minha vida. Em respeito e gratidão. Por tudo que elas me proporcionaram, os momentos e oportunidades. São músicas que me fazem querer tocar cada vez melhor, mesmo depois de tantos anos.
Hugo: Acho que são músicas que estão na história do heavy metal e mesmo que muitas delas já tenhamos tocado muitas vezes , a reação das pessoas , a interação com o público faz com que seja cada vez algo novo , emocionante, como se fossem as primeiras vezes.
Como está sendo essa turnê? Vocês conheceram novas cidades com essa tour?
Hanna: Essa turnê é definitivamente a concretização do que foi plantado nesses dois anos de Shamangra! Pra mim, principalmente, foi uma experiência desafiadora. Afinal de contas me fixei de fato com a vocalista do projeto, uma responsabilidade gigantesca a qual me dediquei arduamente no período pré turnê, mas especialmente cresci muito mais no decorrer dela. O shape veio e a cada show fico mais feliz em estar executando as canções com pegada e personalidade.
Visitamos várias cidades, e foi literalmente a minha primeira vez em todas elas.
Cada quilômetro rodado foi intenso e satisfatório demais. Todas as cidades que visitamos foram receptivas com nosso show… a vibe no final sempre foi de uma grande confraternização entre a banda e o público.
Kelvin: Está sendo incrível, cada show um lugar diferente e em sua maioria é a minha primeira vez naquele local. Os shows muito bem recepctívos, sempre com fãs fiéis e carinhosos com nosso trabalho e além de tudo, a honra de poder estar dividindo palco com as lendas Mariutti o que para mim é incrível. Tudo está dando certo e essa Tour promete muito mais.
Gustavo: Para mim essa tour está sendo incrível, poder viajar tocando músicas que escutei durante toda minha vida com ídolos, músicos e equipe incríveis, é a realização de um sonho. Estou muito feliz em fazer parte dessa tour. Sim, estou conhecendo várias cidades que não tinha visitado ainda. Inclusive voltei em uma delas em um fim de semana livre para poder conhecer com calma. Tem sido incrível!!
Nessa tour a Hanna é a única mulher da banda. O que você acha do dia a dia da banda sendo a única mulher?
Hanna: Eu sou totalmente cuidada por eles. Seu Luís sempre muito atencioso com cada detalhe pra garantir meu bem-estar (até vitaminas me dá haha), Hugo com sua generosidade é meu parceiro de lágrimas no palco, Gustavo me rende gargalhadas altas e Alessandro é um escudeiro fiel. Sem falar da nossa equipe: Rona, Anderson, Jean e Kaluf. Sempre dispostos a me dar o apoio que preciso em todos os momentos.
Mas teve outra presença feminina fundamental: Fernanda Mariutti. Afinal de contas, sem ela, absolutamente nada disso rolaria. Ela só não toca na banda…Mas todo o trabalho no pré, durante e pós show é dela. Então ela é nosso 6ª elemento, sem sombra de dúvidas.