


entrevista Tomarock
Fema
A Tomarock existe desde 2003. O que mudou mais: o público do metal ou os lugares onde ele acontece?
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Nos últimos anos o público do metal no Rio renovou muito. Tem uma galera jovem colando nos shows. Principalmente de vertentes como grind, thrash, death e black metal. Pouco antes da pandemia perdemos a Planet Music que era um espaço que abrigava muitos shows undergrounds e fechou, mas ao mesmo tempo ganhamos o Heavy Beer que é um bar que comporta 400 pessoas. O Garage reabriu com nova gestão e lá tem muitos shows de metal. Também tem rolado vários eventos em estúdios menores que comportam 60 pessoas. O evento sendo bom e bem-organizado o headbanger vai.
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Sabemos que a resistência mantém a cena viva, mas a logística e o dinheiro a mantêm profissional. Como você equilibra o romantismo de 'fazer por amor' com a necessidade de viabilizar o show tecnicamente no Brasil?
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O amor ele fica mais evidente nos shows que conseguimos patrocínio ou ganhamos editais da prefeitura da nossa cidade. Nesses casos fazemos bandas que amamos e que ficaria inviável fazer por questões de logística, pouco público e ingresso que seria mais caro que o normal etc.
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Quando não temos esse tipo de suporte o amor tem que vir dos dois lados, do produtor e da banda principal que vai se apresentar. Tem que haver um consenso, geralmente a banda vem e não toma prejuízo e o risco fica mais com a gente da produção. Dá para entrar em acordo com a banda e ninguém perder dinheiro no final do baile. Não é toda banda que cede e entende que o valor cobrado do cachê dela é alto e a conta não fecha. Mas conseguimos fazer muitos shows com bandas que viraram parceiras e todo ano tocam conosco.
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Vocês sempre defenderam que o metal também é um espaço político. Em que momentos isso fica mais claro nos palcos?
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Quando fizemos o evento Metal Contra o Fascismo no Circo Voador com 7 bandas da cena local na véspera da eleição de 2018. Quando fazemos o evento O Rock É Preto com protagonismo de bandas com músicos pretos e o Tomarock Girl Power com bandas com protagonismo feminino. Quando pego o microfone no palco e deixo claro o nosso posicionamento de que somos contra todo tipo de preconceito e que racistas, fascistas, machistas e homofóbicos não são bem-vindos em nossos bailes.
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É acolher quem sofre preconceito a todo tempo e em todo lugar disponibilizando o ingresso trans free para quem é trans e não binário e dar um lugar seguro pra essas pessoas e mulheres cis se divertirem. É incluir os meus irmãos em todo show com uma lista de 20 e as vezes 30 pessoas pretas que não podem pagar o preço do ingresso. Também não vejo problema nenhum de uma pessoa que ta dura ir e pagar depois ou dividir esse ingresso em 4. 5 ou 10 vezes. Tem um rapaz que foi num show que fiz do Surra em agosto do ano passado e só terminou de pagar em dezembro, todo mês ele me mandava 10 reais no Pix. Eu já perdi muito show por não ter dinheiro e não quero que ninguém deixe de ir aos meus bailes por esse motivo. Recarrega a energia. É uma espécie de terapia, lava a alma de muita gente, é importante. A galera se divertir e sai de lá melhor do que quando entrou.
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Se a Tomarock parasse amanhã, o que deixaria de existir na cena underground?
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usando como exemplo o ano passado, não teríamos 47 eventos com 110 bandas diferentes tocando.




