


entrevista storia
leandro oliveira
1. O novo álbum “Revenant: A Righteous Revenge” dá sequência direta ao EP anterior. Como nasceu essa ideia de continuidade narrativa e o que vocês quiseram expandir ou aprofundar nessa nova fase da história?
Na verdade, esse sempre foi pensado como um álbum completo desde o início. O EP surgiu como uma forma de apresentar esse universo durante a tour com o Edu em 2024, enquanto a gente ainda estava finalizando o restante do material.
Então o EP funciona como a introdução da história do Revenant. Já o álbum é a continuação direta da jornada, onde a gente aprofunda os conflitos, expande o mundo e desenvolve os personagens com muito mais profundidade.
O conceito central da Storia é, de fato, contar histórias completas em cada álbum, né, como se fossem aventuras de RPG.
2. Desde a formação da Storia em 2023 até agora, quais foram as principais evoluções no som da banda? O novo disco representa uma identidade mais definida do grupo?
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A evolução do som da Storia está muito ligada às parcerias dentro da banda, principalmente com o Pablo e o Gabriel, que são parceiros de composição incríveis. E além disso, só mencionando aqui, o Pablo também foi responsável por toda a produção do álbum (mix e master) então essa identidade sonora passa muito pelas decisões dele também.
Nas primeiras formações, as composições iniciais desse álbum tinham uma pegada diferente, talvez mais próxima do power metal mais clássico. Mas com a entrada do Pablo, principalmente, a gente começou a explorar outros caminhos. Ele traz uma influência muito forte do prog, e isso abriu espaço para estruturas mais complexas, mais dinâmicas e um som mais cinematográfico. Os solos do Gabriel também são um destaque à parte, eles não são só técnicos, mas realmente ajudam a construir a identidade de cada música e elevam muito as composições.
E na faixa-título do álbum, a gente sentiu que precisava de algo a mais para realmente alcançar o nível que essa música pedia, que é o grande clímax da história. Tivemos muita sorte de contar com o Roberto Barros como compositor e performer nessa faixa, no duelo de guitarras. Foi muito bom trabalhar com o Roberto, em todos os aspectos. Ele é uma pessoa incrível, e, na minha opinião, facilmente um dos melhores guitarristas do mundo no momento.
Enfim, o nosso som neste álbum foi um processo de construção em camadas, adicionando elementos pouco a pouco até chegar nesse som que hoje eu acho muito característico da Storia.
E, ao mesmo tempo, a gente não quer se prender a isso. O conceito da banda é justamente se remodelar a cada álbum, tanto na narrativa quanto no som. Então esse disco define muito bem quem somos agora, mas o próximo capítulo pode levar os fãs para uma experiência completamente diferente.
3. O título “A Righteous Revenge” carrega um peso forte. Que tipo de mensagem ou reflexão vocês quiseram transmitir com esse conceito? Existe uma carga mais emocional ou filosófica nesse trabalho?
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“A Righteous Revenge” trabalha muito a ideia da dualidade do homem, no sentido mais junguiano mesmo — essa coexistência entre o bem e o mal dentro de cada indivíduo. Ao mesmo tempo, a gente também explora a narrativa clássica do cavaleiro caído, mas sob uma nova perspectiva.
Nesse álbum, dentro da história que criamos, a gente meio que inverte os papéis e coloca a vingança em protagonismo. Isso foi uma escolha consciente para explorar esse lado mais sombrio, mais humano e mais falho do personagem.
Ao longo da narrativa, o Revenant passa por momentos de introspecção muito intensos e difíceis. Ele não é mais só alguém reagindo à traição, ele está confrontando quem ele se tornou.
4. A Storia tem como proposta trabalhar exclusivamente com discos conceituais. Como essa missão influencia o processo de composição do álbum? As músicas surgem primeiro como ideias individuais ou já dentro de uma construção coletiva pensada para servir à narrativa?
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Isso vem muito de mim. Eu sou muito fã de RPG, eu mestro campanhas toda semana, e sempre fui apaixonado por narrativas bem construídas, com personagens, conflitos e desenvolvimento ao longo do tempo. Eu não suporto ver um roteiro mal escrito.A ideia da Storia nasceu justamente dessa vontade de unir essas duas paixões de uma forma única, algo que a gente ainda não via sendo feito dessa maneira na cena do metal aqui no Brasil.
Dentro da banda, eu cuido de toda a parte narrativa e conceitual do álbum. Então o processo começa sempre pelo roteiro: eu defino os pontos principais da história, os personagens, os conflitos, os momentos essenciais, né. Depois disso, começo a trabalhar nas melodias. A partir daí, o Pablo entra trazendo toda a base instrumental e harmônica, e depois vem o Gabriel com os solos, expandindo essas ideias e elevando o som. E, por fim, eu escrevo as letras, já totalmente alinhadas com a narrativa que foi construída desde o início.
Mas isso não para na música. A gente leva esse conceito para tudo né, clipes, figurinos, estética visual. Gravamos dois clipes em castelos aqui no Brasil justamente para dar vida a esse universo de forma mais real e imersiva. Os figurinos, a direção de arte, tudo é pensado para reforçar a narrativa e fazer o público realmente entrar nessa história.
No fim, é um processo bem estruturado, quase como desenvolver uma campanha de RPG, só que traduzido em música, imagem e performance. Cada elemento precisa cumprir um papel dentro desse mundo que estamos construindo.
5. Com o lançamento desse novo trabalho, quais são as expectativas da Storia para o futuro?
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Esse lançamento marca um ponto muito importante pra gente. É o momento em que a Storia deixa de ser uma promessa e passa a se consolidar.
Temos a turnê nacional com o Fabio Lione em julho e agosto, que vai ser a oportunidade nossa de levar esse álbum ao vivo para os fãs.
A expectativa agora é crescer, alcançar mais público, levar a experiência completa da Storia ao vivo e continuar desenvolvendo novas histórias dentro desse universo. A gente já vai começar a trabalhar no próximo álbum, o roteiro inclusive já está escrito. Então esse universo da Storia continua se expandindo.